COMPOSTO "4 Rs" DAS RELAÇÕES PÚBLICAS PLENAS

COMPOSTO "4 Rs" DAS RELAÇÕES PÚBLICAS PLENAS

domingo, 16 de novembro de 2014

MUDANÇA EM 5 TEMPOS. De um Sistema acuado e inoperante a um verdadeiro regime de fiscalização e defesa da profissão e de quem se beneficia dela - o cidadão e a comunidade.

 
1) O Sistema Conferp-Conrerp consultará - ainda no atual mandato (2013-2015) - os profissionais registrados sobre "atualização" da Lei 5.377/1967 - que criou a profissão regulamentada de "relações-públicas" no Brasil. Entre as 2.512 atividades listadas no Catálogo Brasileiro de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), há apenas 62 profissões regulamentadas -, ou seja, um privilégio e um direito-dever que coloca as Relações Públicas no mesmo patamar, e sob a devida - e correlata - Responsabilidade Técnica de carreiras como as da Administração, da Arquitetura (cujo Conselho Profissional próprio foi criado em 2012!), do Direito, da Economia, Engenharia, da Farmácia, da Fisioterapia, da Medicina, da Química. Por isso o nosso Código de Ética tem força de lei e temos - diante da cidadania - a obrigação de fiscalizar, mormente a partir de denúncia, o mau exercício profissional e as más práticas de comunicação institucional, que, aliás, infestam o dia-a-dia dos brasileiros, vindas de toda parte: governos, empresas e mesmo do terceiro setor.

2) Há hoje, no Congresso Nacional, em diferentes estágios de evolução, Propostas de Emenda à Constituição (PECs) pleiteando a criação de inúmeras, dezenas, de profissões. Com melhor ou pior embasamento jurídico-legal, pugnam por reconhecimento, regulação e fiscalização junto ao mercado, "profissionais" de Marketing, de Pesquisa de Mercado, de Cerimonial, de Design, de Captação de Recursos, entre outras. Entende-se, em TODAS as justificativas para tais pleitos; (a) necessidade de amparar, profissionalmente, trabalhadores e clientes (b) regulamentar relações comerciais e laborais, e (c) proteger o cidadão consumidor de serviços... exatamente o que toda e qualquer profissão regulamentada provê... não só para o profissional, mas - sobretudo - para quem o contrata - a Responsabilidade Técnica por um trabalho específico, técnico, especializado.

3) Não existe a figura jurídica da "atualização de lei". Assim como não existe o termo empregado pela gestão anterior, de "flexibilização de lei" e, muito menos, a "abertura" do registro profissional preconizada pelos defensores da Carta de Atibaia (de 1997). O que alguns querem (a metade da classe, rigorosamente, por levantamento da gestão anterior - bastante documentado) - e que me posto CONTRA, agora - é, simplesmente, a "concessão do registro de relações-públicas a não-bacharéis em Relações Públicas". PONTO.

4) A Carta de Atibaia - um documento sério, fundamentado e ponderado - inspirou a muitos, inclusive eu, durante muito tempo, na concordância com a ideia da concessão do registro profissional a não-bacharéis. Confiávamos no estabelecimento de um exame de proficiência na área - à imagem do que acontece no Direito e nas Ciências Contábeis - algo, constate-se, absolutamente inexequível (por uma estrutura inexistente), inexigível (não há cursos com 2/3 de docentes errepês, ou com 2/3 da carga horária com disciplinas de RP - o que caracterizaria relevância a conteúdos específicos de pós-graduação) e, pior, inconstitucional - por não haver previsão em lei, de tal exame. Primeiro fato: as razões da Carta de Atibaia envelheceram com o advento da internet - que veio esvaziar seu detalhamento, justamente o mesmo que também deu origem à Resolução Normativa 43 do Conferp (2002) - norma natimorta, rechaçada pelo mercado.

5) Segundo fato: as razões da Carta de Atibaia morreram. Com a queda da exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista em 2001 (por "lobbying" dos patrões "jornalistas") e a expedição das novas diretrizes curriculares nacionais (DCNs) para Jornalismo e Relações Públicas, em 2013, pelo Ministério da Educação - que consagraram o fim do "guarda-chuva" da Comunicação "Social" imposto pela ditadura e tornaram autônoma a criação de cursos de Relações Públicas independentes MUDOU o ambiente legal - além do cenário de negócios, que cita RP de modo correto, como nunca, mídia incluída - o que RECLAMA que se mantenha a legislação, mudando a opinião de muitos, como eu, pela não concessão de registro profissional a não-bacharéis e se agudize o processo fiscalizatório em benefício da sociedade e da própria democracia - papel moral, ético, central e obrigatório de todas as profissões regulamentadas.
>

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Sobre instituições.

Para aqueles que já ultrapassaram a dificuldade - real - de compreender o que é a tal da comunicação institucional, principal valor, disciplina e sustentáculo da profissão de relações-públicas no Brasil.
 

INSTITUIÇÕES - repito isto há 29 anos, em aulas, palestras, bancas examinadoras, livros e vídeos - não são paredes de tijolo e massa (como as da Catedral da Sé, as da UFRJ e as da USP), ou de concreto, aço e vidro (como as da Catedral de São Sebastião ou as da UERJ). Instituições não são plantas industriais (como as da CSN e Nestlé), frotas de aviões ou caminhões (como as da Gol e da Itapemirim), ou redes de lojas (como a Casas Bahia ou Ponto Frio). Instituições não são nem sistemas de "big data" (tais como Google e Facebook).
 

MARCAS, como as mencionadas entre os parênteses acima, DESIGNAM organizações - que podem vir a tornar-se instituições (cito como fonte, aqui, a grande obra "Feitas para durar", de Collins & Porras, 1994). Designam, sim, organizações, mas também NÃO O SÃO, igualmente, os seus prédios, suas fábricas e seus equipamentos.
 

ORGANIZAÇÕES (e instituições), são, sim, PESSOAS reunidas sob um objetivo comum. Esta é a primeira lição dos cursos de Administração. E por isso a "gestão de pessoas" tornou-se, HOJE, "a" disciplina-chave da área. Trata-se de atrair e reter talentos, pois tais PESSOAS são também o centro de outro termo muito usado na atualidade - a INOVAÇÃO. A permanência das pessoas e, também, de visão e valores (a missão costuma mudar mais frequentemente) depende unicamente de GENTE.
 

SE A EMPRESA Chocolates Kopenhagen existe desde 1928, é porque pessoas assim o quiseram. Pedro Amadeu Dos Passos fundadores aos atuais proprietários da marca, passando por gestores, "gourmets" e funcionários - todos foram - e são - responsáveis por reconhecimento, relacionamento, relevância e reputação dos produtos e serviços da empresa nestes últimos 86 anos. E é de se supor que a solidez buscada e mantida por todos que compõem a organização possa levar a Kopenhagen a mais 86 anos de trajetória. Isto faz a diferença. A ponto de podermos afirmar que a Chocolates Kopenhagen é das poucas organizações genuinamente brasileiras que - não sendo do Estado - alcançaram o patamar de instituições.
 

MAS ESTA É OUTRA HISTÓRIA... que Jim Collins manteve-se contando em seus - também ótimos - "Feitas para Vencer, 1998" e "Vencedoras por opção, 2012". A questão, aqui e agora, relaciona-se com a minha profissão e área de formação, as Relações Públicas.
 

RECONHECIDAS em todo o mundo por constituírem práticas "de ponta" em TODAS as esferas (pública, privada e do terceiro setor), no Brasil, "por opção" (citando Collins), as RRPP foram objeto de uma aglutinação de idealistas (ABRP, 1954) que deu tão certo que guindou a instituição, aos seus - apenas - 12 anos de vida, a constituir-se base para a criação do Sistema Conferp-Conrerp, dando-nos a condição de profissão regulamentada - algo que muitos querem mas que, sem "corpus" institucionais (pessoas aglutinadas, interessadas, apaixonadas, dedicadas, obstinadas) claudicam no Congresso Nacional há anos. Algumas, há décadas ("lobbying", por exemplo, vaga penando desde 1978).
 

FUI APRESENTADO ontem, aqui na 1a. Região (estado do Rio de Janeiro), à estratégia estabelecida pelo Conferp para tratar da famigerada "flexibilização da concessão do registro profissional de relações-públicas a não bacharéis em RP". Respeito - porque elegi, regional e nacionalmente - aqueles que estão com o "pulso" da área na ponta dos dedos, mas discordo diametralmente do encaminhamento proposto - o qual coloca em alto risco a manutenção da profissão regulamentada num momento em que o próprio MEC retira as amarras que inspiraram a Carta de Atibaia, tornando-a, ela sim, ultrapassada.
 

LEI É PARA SER CUMPRIDA. E por GENTE que vê valor nisso. Lei não precisa ser "nova", como ouvi na reunião de ontem. Nesse caso, "antiguidade" é valor; a constituição dos Estados Unidos tem mais de 200 anos e funciona. A do Reino Unido, então, tem o dobro dessa idade - funcionando melhor ainda que a estadunidense. E não é pecha ter sido criada na ditadura - como também ouvi. Na ditadura foi criada a maioria das profissões regulamentadas do país, inclusive as de jornalista, publicitário e administrador. Nossa origem é, sim, a ABRP!
 

NÓS, ERREPÊS, precisamos nos posicionar URGENTEMENTE quanto a isto. A omissão - marca maior de nossa categoria (o que tem levado a chapas únicas nas eleições para Conselhos Regionais e Federal, sempre criadas com muita dificuldade, em todo o Brasil) é a fonte desse estado de coisas - e justamente no ano em que se completam 100 anos da atividade!
 

AS FORÇAS LEGÍTIMAS que vêm, não do topo, mas da base do edifício da nossa área - cada vez mais reconhecida como "de elite" no contexto organizacional - precisam posicionar-se e trabalhar para evitar um fim melancólico, por inanição, ou desuso - para citar Lamarck (como, aliás, citei numa das audiências públicas - cujo vídeo está a seguir). Seria mais digno "plebiscitar" os registrados, censitariamente, pela manutenção ou extinção da profissão regulamentada... sobretudo se é verdade para a maioria o que também ouvi, ontem - que os registrados o são SOMENTE por que é obrigatório.

MINHA POSIÇÃO INDIVIDUAL - e "institucional", no OCI (do "alto" de seus 21 meses de vida) é pela manutenção de tudo como está e por assumirem os Conselhos Regionais e Federais PESSOAS realmente interessadas em trabalhar por aquilo que são e que se esforçaram para ser, relações-públicas, e não por interesses de terceiros.




MEMÓRIA. Terça-feira, 22 de julho de 2014. Do RPitacos
Meu posicionamento público sobre a chamada "abertura" da profissão de Relações Públicas
Por Manoel Marcondes Neto

Em 17 de julho último, pus o ponto final em um capítulo preparado especialmente para um livro de colegas relações-públicas, a quem muito agradeço pelo convívio e convite. Coube-me contar a pesquisa - ainda inédita - entre 100 executivos NÃO relações-públicas (por formação ou exercício), em SP, RJ e MG, a qual encerrei em 2012 e que gerou o "composto dos 4 Rs das Relações Públicas Plenas", publicado ainda naquele ano (vide este link), sem os resultados do levantamento, pois ainda estavam sendo tabulados (serão incluídos na próxima edição, completa), para comemorar meus 30 anos de formado. 

Revendo tudo aquilo, relembrando os riquíssimos debates que tínhamos no Conrerp1 (2010-2012) sobre a profissão, a formação, o passado obscuro e o futuro luminoso das Relações Públicas no Brasil, a ausculta pública sobre "flexibilização" que nos extenuou (vide este link), e os rumos dados (ou não dados) pelo Conferp até aqui sobre a questão; apesar da fama de "quadrado" - uma chefe querida me dizia que a cabeça é redonda para podermos mudar de opinião -, mudei minha convicção e sou: 

(1) pela manutenção da Lei 5.377/1967; 
(2) pela devida fiscalização do exercício profissional pelo Sistema Conferp-Conrerp - missão indesviável de toda e qualquer profissão regulamentada -;
(3) por sua efetiva defesa como marco regulador para a comunicação de caráter institucional no Brasil, ainda mais diante das novas diretrizes curriculares nacionais para o bacharelado, as quais reconheceram, finalmente, a especialidade e a especificidade de nossa formação/profissão - em linha com o resto do mundo (que, simplesmente, chama relações públicas de... relações públicas). 

#RP_NELES!
>

domingo, 7 de setembro de 2014

Cem Anos de RP no Brasil. Muita história e muito presente.


SATISFAÇÃO TOTAL - de expectativa e de espírito - por participar da RPWEEK. 

Por três dias, pude estar imerso nessa verdadeira fonte de energia vital que é o Todo Mundo Precisa de um RP, culminando com a minha chance de falar à galera na manhã de sábado e ouvir colegas palestrantes do mais alto nível e da maior relevância no mercado. 

Ponto para vocês, queridos Guilherme Alf, Ariane Sefrin Feijó, Amanda Mayumi Takassiki e Pedro Prochno! 

Gratíssimo por existirem e por serem como são! 

RRPP de corpo e alma! 

Segue link para a minha apresentação de ontem: 

http://pt.slideshare.net/marcondesneto/apresentao-rpweek-06-09-2014?utm_source=slideshow&utm_medium=ssemail&utm_campaign=post_upload_view_cta.
>

terça-feira, 2 de setembro de 2014

40 ANOS DE CARTEIRA ASSINADA, HOJE.


2 de setembro de 1974: eu começava no meu primeiro emprego, em São Paulo, como auxiliar de escritório. 

Em razão desta função, pré-GPS, conheço bem a minha querida - e maravilhosa - cidade. E sorrio a cada esquina da Brigadeiro, a cada poste da Santo Amaro, a cada imóvel da Avenida Brasil - antes casas, hoje negócios. 

Voltei a morar - e trabalhar - por lá algumas vezes, a última no doutorado, na USP. 

Desde 1985 na UERJ, encontrei-me na docência e para comemorar esta data coloco "no ar" 3 novos vídeos: 

2 tele-aulas - uma de RRPP, 

outra de Marketing Cultural,

e + uma participação especial no programa Tempo de Escola do Canal Futura. 

Como dizia o meu saudoso colega, jornalista Sílvio Júlio Nassar: "trabalho não é sacrifício, trabalho é privilégio".
>

domingo, 17 de agosto de 2014

Todo trabalho é digno. E toda profissão regulamentada exige o pré-requisito da formação específica e o devido registro em Conselho Profissional.


O jornal O Globo noticiou, ontem, que o ex-ministro José Dirceu “digita fichas” (o que ele, aliás, acha “um tédio”, segundo a reportagem) preparadas pela bibliotecária do escritório de advocacia em que o mesmo está trabalhando.

Esta notícia deve-se à a fiscalização feita no escritório pelo Conselho Regional de Biblioteconomia (Regional DF).

José Dirceu recebe 2.100 reais mensais por seu trabalho e esta quantia – pela filosofia do próprio partido do agora digitador – deveria passar a ser considerado “piso” salarial em todo o país; um valor “de entrada” de qualquer cidadão no mercado de trabalho. Se conseguisse isto, o partido jamais deixaria o poder… por gratidão da massa. Mas não foi o que ocorreu em quase doze anos. O salário mínimo brasileiro continua sendo uma vergonha internacional. Pagar o que se paga – legalmente – para um trabalhador por um mês de sua labuta no Brasil, eu considero “trabalho análogo à escravidão”. Leonel Brizola, por sinal, dizia que pagar um salário mínimo era mais barato que manter um escravo…

Enquanto isso, o novo presidente do STF, Ricardo Lewandowski (que ainda nem tomou posse), já está reivindicando, na mídia – onde mais? – aumento dos proventos dos juízes, cujo “teto” salarial é, hoje, de pornográficos (para os padrões brasileiros) 29,4 mil reais mensais.

Quanto a profissões regulamentadas, a atitude do CRB deveria inspirar sobretudo aqueles errepês que relutam em se registrar no nosso Conselho Profissional.

Ter um Sistema Conferp-Conrerp funcionando – ainda que mal (por culpa exclusiva dos que insistem em ficar à margem da lei, mantendo os cofres da Autarquia – e, consequentemente, a função “fiscalização” do mesmo – à míngua) é um privilégio que não pode ser dispensado por qualquer pessoa com boa formação e um mínimo de bom senso.

O próprio José Dirceu já fora “impedido” de assumir a “administração” de um hotel de Brasília – por 20 mil ao mês (remuneração mais condizente com os hábitos gastronômicos dos nossos políticos “profissionais”) por grita do Conselho Regional de Administração. “Para ser gerente…”, alegava o relato da fiscalização, “… é preciso ter cursado Administração e portar o respectivo registro no CRA da Região”.

A imagem é da campanha do Observatório da Comunicação Institucional (OCI) pelos 100 anos de RP no Brasil em 2014.
>